terça-feira, 24 de novembro de 2015

Luz de velas

Quando eu estava no terceiro ano do ensino médio, em 2012, eu tinha o hábito de acordar por volta das quatro horas da manhã e ter um caso amoroso com os livros didáticos. Isso me ajudava a despertar, me permitia ter a visão esplêndida do nascer do sol e eu ainda me saía bem nas provas. Para combater a escuridão da madrugada eu não acendia as luzes, eu acendia velas na cozinha e me sentava à mesa para vagar no mundo do conhecimento. Era lindo, era um momento de paz, de meditação, um momento meu. Eu sinto saudades dessa época, de quando eu era aquela garota que caminhava devagar pelas ruas achando tudo lindo e fotografando as coisinhas banais que aos meus olhos eram fantásticas. Sinto saudades de ver o mundo através daqueles olhos, sentir o que eu sentia... Hoje tudo parece tão cinzento, meu mundo perdeu as cores, uma flor é somente uma flor, não há mais magia. E por quê? Ah os porquês da vida... nem sempre fáceis de encontrar, mas eu posso arriscar e dizer que esse porquê é a liberdade, ou melhor: a ausência dela. Sinto minha alma aprisionada. Aprisionada por mim, pelo medo, pelo desespero. Mas eu tenho uma nova chance e este é um novo começo onde aquela garota que se foi pode retornar.